OPINIÃO: “Gestão de Bolsonaro parece sem rumo”, diz Renan Calheiros

Alagoano considera que presidente passa por momentos de autoflagelação

Com um discurso crítico ao governo, o senador do MDB, Renan Calheiros, afirmou que a gestão de Jair Bolsonaro “parece sem rumo” e vive um momento de “autoflagelação”. Apesar de classificar Paulo Guedes como “bem intencionado”, Renan argumentou que, sozinho, o ministro da Economia nada poderá fazer e mostrou resistências ao modelo de reforma da Previdência enviado pelo Executivo ao Congresso.

Mesmo assim, não deu pistas de como será sua atuação daqui para a frente. “Eu voltei para o baixo clero. Sou o 081 do Senado”, disse Renan ao jornal O Estado de S. Paulo. Nas conversas com correligionários, a portas fechadas, o senador alagoano não deixa dúvidas de que sua articulação será contra o governo. Na noite desta quarta-feira, 13, por exemplo, ele participou de um jantar no qual muitos se queixaram do estilo do presidente.

“Bolsonaro, com todo respeito, ganhou a eleição e eu respeito bastante quem ganha eleição. Mas essa renitência de manter a divisão da sociedade pela rede social, não deixando que ódios sejam superados, é uma coisa muito complicada. Cada vez mais o presidente vira sinônimo da velha prática política”, insistiu o senador.

Ao definir o que chama de “autoflagelação”, Renan disse que o Palácio do Planalto é “insuperável” na produção de fatos negativos. “O ministro da Educação (Ricardo Vélez Rodríguez) é um horror, o das Relações Exteriores (Ernesto Araújo) não fica atrás. Mas não dá para predizer o que vai acontecer com o governo até porque seria uma competição insustentável com o cientista político Olavo de Carvalho”, ironizou.

No dia anterior, em seu gabinete, Renan também ouviu críticas a Bolsonaro ao receber alguns senadores do MDB. “Me ligue com o Gustavo Bebianno”, pediu ele à secretária. Bebianno ocupava a Secretaria-Geral da Presidência, mas foi demitido no mês passado após ser chamado de “mentiroso” pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Até agora, Bebianno era a “ponte” de Renan com o Planalto. Desafeto do senador, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fez campanha para Davi Alcolumbre (DEM-AP), que se elegeu presidente do Senado. A eleição foi marcada por suspeita de fraude e, na segunda votação, Renan desistiu, retirando a candidatura ao perceber a derrota iminente.

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